Dr. Prof. Silas Molochenco
Doutor em Psicologia e Psicanalista Clínico
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A importância do ministério da alteridade; do ‘outro’ que provoca o sujeito a Ser
O encontro de Moisés com a sarça ardente, provocado pela ansiedade de conhecer o que se dá naquele fenômeno, faz com que Moisés se encontre com um ‘outro’. Quem é este ‘outro’ que santifica o lugar onde ele se encontra. Quem é este ‘outro’ que o convoca à tarefa de libertar o povo de Israel da escravidão. Diante da convocação e da intersubjetividade entre esse ‘outro’ e Moisés, imediatamente surge a pergunta: “Qual é o teu nome”. Você que me transforma: quem é você. Não é suficiente saber o que tu és. Moisés busca a identidade de Deus: “qual é o teu nome”. O que transforma não é o que o ‘outro’ é. O que ele é, se nos apresenta como uma faceta da identidade dele. Para que haja uma comunicação em alteridade é preciso que o ‘outro’ se manifeste segundo a sua identidade; se manifeste com o seu Ser, em sua integralidade (PETERSON e EISENBER, 2003. p. 39). Em Mateus 16. 13, Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizem os outros que é o Filho do Homem?”. Jesus diz: quem é o Filho do Homem e não o que ele é. Ao perguntar aos discípulos, da mesma forma Jesus pergunta: Quem dizem que eu sou? Ao que Pedro respondeu: “O Senhor é o Cristo, o Filho do Deus Vivo (Mt 16. 16). Em um intercurso comunicativo, não é o que o ‘outro’ é que se manifesta no espelho, mas sim a sua identidade, mesmo que ele não perceba. A pessoa como um todo se manifesta (WINNICOTT. 2001, ps. 43-45). Quando oramos, conversamos com Deus e, em nossas orações, não devemos nos preocupar com o que ele é nem com o que ele pode fazer. Normalmente, nossos encontros com Deus estão pautados no que ele é e no que ele pode fazer. Precisamos da identidade de Deus para podermos nos relacionar com ele. Veja nas Escrituras quantas vezes Deus nos convoca para um relacionamento interpessoal, em alteridade, e várias são as expressões bíblicas nas quais Deus diz quem ele é como nos convoca para estarmos com ele. Ele diz: Eu sou o Senhor. Eu sou o Senhor todo poderoso. Eu sou Deus, criador dos céus e da Terra. Estou lendo o profeta Isaias e Deus se apresenta várias vezes para Judá e Israel. Nos capítulos 42 a 45 aparecem as seguintes expressões: Sou eu o Senhor. Sou eu o Senhor, este é o meu nome… Pois eu, o Senhor. Eu sou o teu Deus. Eu sou o Senhor, vosso Santo, aquele que criou… Sou eu que sou o Senhor. Eu sou o Senhor, não existe outro. Sou eu o Senhor, não existe outro deus. Pois sou eu que sou Deus, não existe outro. Após a sua apresentação é que ele, o Senhor, vai apresentar o que ele vai fazer. Da para notar, nas expressões acima, que primeiro Deus se revela como pessoa, a sua identidade, para depois dizer o que ele vai fazer. Israel e Judá são personificados por Deus e isso aparece algumas vezes nas figuras que Deus usa. Assim temos um relacionamento de alteridade.
Na nossa relação com Deus, a que Deus nos entregamos? Entregamo-nos a Deus em alteridade, em relação interpessoal com ele? Ou a um Deus que faz satisfazendo meu desejo. Um Deus que é o que meu coração espera. Esta relação é unilateral porque eu me manifesto e Deus me contempla e completa o meu desejo. Este Deus é um Deus impessoal. O verdadeiro Deus nos faz refletir: Quem sou eu? Como me vejo diante do espelho que é a pessoa de Deus e o que me tornarei quanto tiver Deus diante de mim. Necessariamente esse encontro me modifica.
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