A Autonomia e a Vontade Humana

 A autonomia se revela pela capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral. Esta legislação moral é estabelecida através da alteridade que marca em nós as leis formando o Supra-Eu, este, uma vez constituído é livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível. Quando nos referimos a autonomia temos de ter em mente que não somos uma mônada. Pessoas significativas influenciaram e ainda influenciam nossa vida e, da mesma forma, somos significativos para os ‘outros’. Isso, porém, não impede a nossa autonomia, nossa liberdade exercida pelo esforço de nossa própria reflexão, dando a nós mesmos os nossos princípios de ação. Autonomia não é viver sem regras, mas obedecendo às que escolhemos depois de examiná-las. É pela graça dos ‘outros’ e é pelo ministério dos ‘outros’ que concebemos e estruturamos a nossa identidade (HELLENS, 1982. p. 15ss). O ‘outro’ não é um agressor, mas manifesta-se como um fundador, como aquele que edifica e constrói a minha identidade, o meu Self.  Em qualquer relação, se é que há relação sem o ‘outro’ não é possível anunciar ou ser anunciado.

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