A Formação do ‘Supraeu’ (Superego) por Meio da Alteridade

Ao falarmos sobre consciência do Ser, não há como deixar de lado a consciência do ‘outro’. Ao lermos a Bíblia, que é um ‘indivíduo’ que forma nossa consciência, não há como não ver nela o ‘outro’; o escritor do texto, e mais do que isso, ao lê-la temos um encontro com Deus. Tanto o autor do Texto e a pessoa de Deus, se apresentam como alteridade marcando a nossa consciência com as suas consciências. Esses encontros são fatores que constroem no Self do Ser o ‘Supraeu’, fator essencial e determinante para a crítica da consciência. É através do esclarecimento, provindo da participação interativa da comunicação, a alteridade, que torna possível o avanço do conhecimento e a dissipação das trevas da ignorância e do preconceito. Este é também o caminho para a liberdade, que produz a emancipação. Por isso é que se diz que a consciência de si é a consciência do outro. Os fatores que constituem a identidade do Eu podem ser libertadores e emancipadores, mas também podem ser meios pelos quais o Eu entra em um processo que escraviza e que o aliena. Falamos sobre a Bíblia que, sempre que a lemos ou a estudamos ela se apresenta como o ‘outro’ que nos liberta e nos emancipa. Do outro lado temos o ‘outro’ que nos aliena. Há um caminho teológico, como também a própria Bíblia, que personifica o pecado. Este é o caso da serpente no Jardim do Éden. Ao ser personificado ele se apresenta como o ‘outro’ que faz penetrar, a semelhança de Adão e Eva, a desobediência, quebrando normas e preceitos. O pecado é gerado pelo instilar constante de um desejo que é alienus. Um desejo da alteridade, um desejo que coloca o Ser em uma determinada posição que o escraviza. O pecado também traz a alienação de Ser. Ele retira do Eu a capacidade de confrontar-se consigo mesmo, por isso o aliena. O grande exemplo que temos e que é universal, é a interrelação entre a serpente e Eva. Essa é a essência de todos os pecados. O desejo contrário a identidade ou da consciência, impede o sujeito de tornar-se si próprio. Há situações e condições do Self que impedem a si próprio de tornar-se o que se poderia ser. Nesta situação a pessoa torna-se estranha (alienus).

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